Incrível como Frederic Wertham consiga vencer até hoje. Até mesmo os super-heróis.
Bem, sabe como é, onde existir hipocrisia, ignorância e pobreza de espírito, gente como Wertham ainda vai vencer.
Ok, faz-se necessário dizer quem é Frederic Wertham. O cara, um psiquiatra, lançou uma cruzada contra os quadrinhos entre 40 e 50, que culminou com o livro “The Seduction of the Innocent”.
No mesmo, o autor dizia que o crescente interesse pelo então “inocente entretenimento infantil” estava carregado de mensagens subliminares que sugeriam homossexualismo, perversão, rebeldia, segregação, depravação, assassinato, roubo e violência.
Por incrível que pareça, ele conseguiu convencer um sem-número de professores e jornalistas, entre outros comunicadores. Tudo com seu discurso de certa forma bem articulado, porém totalmente mal-intencionado e desprovido de conteúdo.
Como um exemplo, o simples fato de Alfred ajudar o Batman a fazer curativos após uma batalha com o Coringa seria uma imagem de homossexualismo entre o vigilante e seu amigo e mordomo, entre outras “doenças” citadas pelo autor.
Não é de hoje que todos, principalmente os medíocres e desinformados, costumam colocar a culpa das “mazelas” da sociedade na Cultura. O que me espanta (hoje não mais), é que essas pessoas são justamente os comunicadores e formadores de opinião.
“A violência vem dos games, como Doom, dos quadrinhos, como do Batman.” A violência, meus caros, está em todo lugar. Na Bíblia, na contagem de corpos do caderno de Cidades do seu jornal preferido, na maneira como nossos governantes nos tratam, na maneira como nossos patrões tratam seus trabalhadores.
É claro, qualquer um que viver só de uma fonte de dados possivelmente vai absorver o comportamento daquelas informações. Assim, um rapaz que só joga Doom, 24 por 7, uma hora vai ter vontade de usar uma bazuca na tua cabeça. Mas aí é que entram os pais, os comunicadores, os amigos, aquela conversa de boteco, aquele filme, aquele quadrinhos, que, somados, podem ajudar a processar isso tudo e fazer de nossa realidade um pouco menos cruel.
Sabe como é, às vezes temos vontade de mudar o mundo e até de fazer Justiça com as próprias mãos. Mas pra quê, quando Batman nos ensina que, apesar da dor, devemos muitas vezes sacrificar nosso lado sombrio para nosso próprio bem e de quem está do seu lado? Pra quê, quando o Homem-Aranha repete incessantemente que “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”? Pra quê, quando Hal Jordan nos ensina que viver sem medo é a melhor forma de sermos nobres e que nossa força de vontade pode moldar o mundo? Pra quê, quando o Superman exalta a nobreza de espírito e o altruísmo?
Todos esses elementos são tão difíceis de serem encontrados na vida real. E nos conforta saber que nossos heróis nunca se cansam de pregar o improvável como um objetivo de vida para todos em um mundo melhor que nunca vai existir. Sabe como é, Batman, Homem-Aranha e Superman, apesar dos poderes, também são humanos e, se você olhar de perto, não são tão diferentes da gente. Se eles não existissem, perder a esperança seria beeem mais fácil.
Mas é incrível, triste, identificar que ainda há quem pense que eles são justamente os vilões de nossa estória. Gente retrógrada, eu sei, que não deveria ser ouvida. E que continua semeando a sobrevida ordinária a que todos estão fadados se não questionarem pelo menos um pouquinho a realidade. Afinal de contas, essa gente, assim como os que adoram te apunhalar pelas costas e aqueles que estão no poder, têm um medo em comum: o fato de você poder pensar.
É isso aí. Frederic Wertham vai continuar ganhando. E eu nunca desistirei de lutar contra ele.
Publicado em 03 de janeiro de 2006 às 19:02 por clangcomix
Mas convenhamos, essa sua obsessão pelo Hal Jordam, um cara que vive se gabando por mostrar o anel, é algo meio esquisito.