in brightest day, in darkest night

The Beta Band

Bah, vocês não entenderam nada!

A Ucrânia está se fazendo de morta para pegar a Coréia do Sul nas oitavas. Sim, porque como a França não parece querer passar da segunda colocação no Grupo G, os coréia é quem enfrentariam o poder supremo de Shevchenko, que tá escondendo o jogo também.

Bando de amadores.

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Bem, retiro o que disse sobre a República Tcheca e a Suécia, afinal de contas agora sou um super-herói reformado e não posso mais ficar fazendo essas piadinhas soft-eróticas.

Ah, e quando disse perfume de mulheres, quis dizer o perfume da minha mulher.

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Tudo bem, sobre Arquivo X e Lost.

Em primeiro lugar, tenho que dizer que minha referência máxima sobre uma série drama/suspense, nicho que até então não fazia sucesso em lugar nenhum, é Twin Peaks.

Twin Peaks abriu caminho para uma enxurrada de séries não-sitcom, como Arquivo X, ER, CSI e coisas do tipo.

O que é legal em Twin Peaks? Bem, aquele clima soturno e sufocante de uma cidadezinha. Todo mundo é cínico, todo mundo deve no cartório. Os personagens são originais, a narrativa muda em prol da fluência inteligente da história. O mistério surreal e sobrenatural que ronda uma comunidade doente é atmosférico, como diz meu amigo Alisson, o maluco. O roteiro imprevisível e ainda assim coerente é muito bom e, claro, a bela trilha sonora de Ângelo Badalamenti completa a obra-prima de Lynch.

Arquivo X e Lost não passam de roteiros simplórios bem executados. Isso não tira o mérito mas engana quem compra as séries como algo mais do que elas têm a oferecer: dramas humanos, peça-chave dos dois, ficam escondidos sob supostos “mistérios”, em um roteiro previsível com conclusões decepcionantes.

Em primeiro lugar, explica-se o roteiro. O roteiro de Lost e Arquivo X têm em comum a mais simples fórmula de escrever uma história seriada. Você escreve um conto com alguns pontos importantes (A, B, C, D ou E, ou whatever). Esses pontos terão variantes (A1, A2, A3, B1, B2, B3, B4, B5 e por aí vai).

Ao analisar a história toda, o pessoal (leia-se produtores e roteiristas) opta pelo melhor caminho (A2+B1+C4+D4 e por aí vai). Na seqüência, um grupo de roteiristas menores destrincha esse plot através de personagens, diálogos, longas passagens cheias de suposta poesia visual e outras babaquices (coloque aqui a encheção de linguiça que quiser) que servem para encher 24 episódios de meia-hora, ou 12 de uma hora.

Daí, inventam umas baboseiras misteriosas. Todo mundo pensa? “Ó senhor, dai-me forças para descobrir o que é isso!” De repente, minha Santa Aquerupita: os roteiristas introduzem o elemento A3 para reforçar a baboseira misteriosa, não utilizado mas pensado anteriormente. O fãs, embasbacados com tanta sagacidade dos escritores dizem: “Pelas barbas de Netuno! Eles pensaram em tudo, desde o começo!!!”

Bah, é claro que sim seus deslumbrados!

Agora voltando à série. Lost é bem executado, tem a mão de JJ Abrams, que mostrou em várias vezes que sabe produzir com sucesso algo pouco cerebral -a exemplo de Alias e Missão Impossível III. Isso não quer dizer exatamente que é ruim, mas também não significa que seja sensacional.

Então, misture na encheção de linguiça uns 30 estereótipos de personagens de qualquer livro do século passado + um ou outro elemento de teoria da conspiração ou do caos: eventos esquisitos acontecendo ao mesmo tempo, viagem no tempo? sonho ou realidade? Alienígenas, dimensões paralelas e outras coisas sensacionalistas do National Geographic (que agora só se dedica à bagulhos secretos da Bíblia).

Está pronta sua série, bem produzida por sinal. Coloque aí umas pitadas do que têm feito sucesso por aí (como elementos de todas as séries já citadas aqui - como bem lembrou o Mindu, os primeiros capítulos de Lost são meio ER, sempre o cara tem que atender alguém morrendo) e transforme isso em cinco ou seis anos de “mistério”.

Que, ao final, deve decepcionar muita gente.

Por isso, apesar de boas, Arquivo X e Lost pra mim não passam de embustes, muito bem produzidos e vendidos. Por um valor muito mais alto do que realmente custam.

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Bah, agora vá para casa tirar a cutícula e descubra um bigato mutante no teu dedo necromancer.

Publicado em 14 de junho de 2006 às 12:26 por clangcomix

Comentários

  1. ben grimm
    • Essa eh a formula do seu blog e dos seus gibis tb, neh, Claudio Lost
    • por JJ Abrahams
    • 14.Jun.2006 às 13:26 - Permalink - Reportar
    JJ Abrahams
    • JJ Abrahams! Sabia que vc era meu fã!
    • por claudio yuge - emocionado
    • 14.Jun.2006 às 13:38 - Permalink - Reportar
    claudio yuge - emocionado
    • “Por um valor muito mais alto do que realmente VALEM”.

      é bem isso mesmo, uma série plastificada, sem entrelinhas, só surpresas estratégicas geradoras de “óóó, que bem bolado!” (tudo fórmula besta) e encheção de linguiça, sem personagens de verdade e tal, e uma superprodução ao gosto dos leitores da veja. tem coisa melhor pra se ver, mas o melhor mesmo é pegar uma enxada e fazer uma horta comunitária em prol dos menos validos.
    • por flipper
    • 14.Jun.2006 às 20:23 - Permalink - Reportar
    flipper
    • simple plan é muito melhor que essas bandinhas
    • por elton
    • 06.Jul.2006 às 19:56 - Permalink - Reportar
    elton
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